Ressonância magnética na gravidez: o que você precisa saber

É ou não permitido realizar ressonância magnética na gravidez?
ressonância magnética na gravidez - barriga de grávida com as mãos da mãe
Sumário


Afinal, pode ou não realizar ressonância magnética na gravidez? É comum que muitas pessoas sintam receio com relação a ressonância magnética, principalmente as mulheres grávidas.

Quer saber mais sobre este exame durante a gravidez e se há riscos para a gestante e o bebê? Continue a leitura e confira este conteúdo completo que preparamos sobre o assunto esclarecendo essas questões. Boa leitura!

O que é ressonância magnética?

Ressonância magnética (RM) é um método de diagnóstico por imagem que utiliza campo magnético potente e ondas de radiofrequência para gerar imagens digitais de altíssima definição em três dimensões.

Entre os principais benefícios do exame de ressonância magnética estão:

  • menores chances de efeitos colaterais;
  • imagens de alta definição;
  • não utilizar radiação.

Como funciona a ressonância magnética?

Diferente do que muitos imaginam, a Ressonância Magnética (RM) não utiliza radiação ionizante, como ocorre no Raio-X ou na Tomografia Computadorizada (TC). Essa é a principal razão pela qual ela é considerada uma alternativa mais segura durante a gestação.

O funcionamento do exame baseia-se em princípios da física quântica e do magnetismo. O equipamento de RM é, essencialmente, um grande e poderoso imã.

O princípio da ressonância: do átomo à imagem

Nosso corpo é composto por cerca de 70% de água, o que significa que possuímos uma quantidade massiva de átomos de hidrogênio. Quando a gestante entra no aparelho, ocorre o seguinte processo:

  1. Alinhamento: o campo magnético do aparelho alinha os prótons de hidrogênio do corpo (da mãe e do feto) em uma mesma direção.
  2. Pulsos de radiofrequência: o equipamento emite ondas de rádio (semelhantes às de rádio FM ou Wi-Fi) que “desestabilizam” momentaneamente esses prótons.
  3. Emissão de sinal: quando o pulso de rádio é desligado, os prótons retornam à sua posição original e, nesse processo, emitem um sinal de rádio de volta.
  4. Formação da imagem: computadores de alta performance captam esses sinais e os transformam em imagens digitais de altíssima resolução.

O funcionamento da RM baseia-se na interação com os prótons de hidrogênio, abundantes na água e nos tecidos biológicos humanos. O processo ocorre em quatro etapas fundamentais:

  1. Magnetização: o scanner (um grande eletroímã) cria um campo magnético constante (medido em Tesla, geralmente 1.5T ou 3T), alinhando os prótons do corpo da gestante e do feto.
  2. Excitação por radiofrequência: o aparelho emite pulsos de ondas de rádio. Esses pulsos transferem energia aos prótons, alterando temporariamente seu estado de equilíbrio.
  3. Relaxamento e emissão de sinal: quando o pulso cessa, os prótons retornam ao estado original (processo de relaxamento), liberando energia na forma de um sinal de radiofrequência.
  4. Reconstrução computacional: antenas captam esses sinais e softwares avançados aplicam a Transformada de Fourier para converter os dados em imagens diagnósticas de alta fidelidade.

Radiação ionizante vs. não ionizante: o diferencial de segurança

A principal preocupação em exames de imagem na gravidez é a teratogenia (indução de malformações). Entenda a diferença técnica entre alguns tipos de radiação:

  • Radiação ionizante (raio-X/tomografia): possui energia suficiente para romper ligações químicas e ionizar átomos, podendo causar danos diretos ao DNA celular em divisão (fase crítica do desenvolvimento fetal).
  • Radiação não ionizante (RM): a energia das ondas de radiofrequência é extremamente baixa e insuficiente para causar ionização. O principal efeito biofísico é o aquecimento tecidual leve, que é rigorosamente controlado pelos limites de SAR (Taxa de Absorção Específica) configurados no equipamento para gestantes.

Em resumo: a ressonância magnética é segura na gravidez porque utiliza campos magnéticos estáveis e ondas de rádio (energia não ionizante) para excitar prótons de hidrogênio, eliminando os riscos de danos celulares associados às radiações de alta energia.

Antes de continuarmos, que tal entender como funciona a segurança do paciente em ressonância magnética? É só assistir ao vídeo que fizemos sobre o tema e, claro, inscrever-se no canal da VX!

A ressonância magnética é permitida durante a gravidez?

Sim, a realização de ressonância magnética (RM) durante a gravidez é considerada segura. Atualmente, não existem evidências científicas que comprovem danos à saúde da mãe ou do feto.

Essa segurança foi reforçada por um estudo publicado em 2016 que acompanhou mais de 4 milhões de gestações. A conclusão foi: a exposição à RM, mesmo no primeiro trimestre, não aumenta o risco de anomalias congênitas, perda auditiva ou visão, ou tumores na infância.

Além disso, de acordo com o RadiologyInfo.org, portal oficial de informações da ACR (American College of Radiology) e da RSNA (Radiological Society of North America):

“Uma doença não é agradável, e uma doença grave durante a gravidez pode ser especialmente séria. No entanto, o bebê depende da saúde da mãe para que a gestação chegue ao fim. Se ajudar a mãe a melhorar significa realizar um exame de ressonância magnética, isso também beneficiará a saúde do bebê.”

Ademais, durante a gestação, tanto exames como tomografia computadorizada, raio-x e a ressonância magnética devem ser avaliados e debatidos com atenção pelo profissional responsável pela paciente.

O uso de contraste (gadolínio) na gravidez: riscos e precauções

A diretriz geral na radiologia obstétrica é clara: o uso de contraste em exames à base de gadolínio deve ser evitado durante a gestação, a menos que seja absolutamente indispensável para o diagnóstico de uma condição que coloque em risco a vida da mãe.

Por que o gadolínio é evitado na gravidez?

O gadolínio é evitado na gravidez porque pode atravessar a placenta e alcançar o feto, permanecendo no líquido amniótico por tempo prolongado, o que levanta preocupações sobre possíveis efeitos tóxicos no desenvolvimento fetal.

Riscos associados (evidências científicas)

Embora não existam evidências definitivas de malformações em humanos, estudos epidemiológicos de larga escala sugerem uma associação entre a exposição ao gadolínio no primeiro trimestre e um aumento no risco de:

  1. Condições reumatológicas e inflamatórias: maior incidência de doenças cutâneas e infiltrativas no recém-nascido.
  2. Toxicidade potencial: o tempo de permanência da substância no líquido amniótico levanta preocupações sobre a toxicidade a longo prazo, embora ainda em estudo.

Quando o uso de contraste é justificado na gravidez?

O Colégio Brasileiro de Radiologia (CBR) e a ESUR (European Society of Urogenital Radiology) recomendam que o contraste só seja administrado se:

  • o diagnóstico por RM sem contraste, ultrassom ou tomografia (com proteção) for inconclusivo;
  • a informação diagnóstica for vital para o tratamento imediato da gestante (ex: suspeita de câncer invasivo ou patologias vasculares graves).

A seguir, confira a relação risco-benefício do uso de contraste por meio de ressonância magnética na gravidez:

Cenário clínicoRecomendação padrãoJustificativa / relação de risco
Exames de rotina ou check-upContraindicadoO risco de exposição fetal desnecessária supera qualquer benefício preventivo imediato.
Suspeita de malformação fetalRM sem contrasteA RM convencional (sequências T1 e T2) já oferece alto detalhe anatômico sem risco químico.
Apendicite ou patologia abdominal agudaRM sem contrasteProtocolos específicos para gestantes permitem diagnóstico preciso de urgências sem gadolínio.
Câncer materno ou doença vascular graveAvaliação IndividualO benefício do diagnóstico para salvar a vida da mãe pode superar o risco potencial ao feto.
Primeiro trimestre (organogênese)Evitar rigorosamenteFase de maior vulnerabilidade celular; o uso de qualquer substância deve ser evitado ao máximo.

Qual o momento mais seguro para a ressonância magnética na gravidez?

O momento considerado mais seguro para realizar ressonância magnética (RM) na gravidez é a partir do segundo trimestre, quando a fase inicial de formação dos órgãos do bebê já foi concluída. Ainda assim, o exame só deve ser feito quando houver indicação clínica clara.

No mais, o desenvolvimento do feto ocorre em etapas distintas, e a radiologia obstétrica moderna adota uma postura de cautela baseada nessas fases. A seguir, confira quais são elas.

1º trimestre: organogênese (0 a 12 semanas)

Este é o período mais sensível da gravidez, pois é quando os órgãos e sistemas do bebê estão sendo formados (organogênese).

  • Recomendação: a RM deve ser evitada no primeiro trimestre, a menos que o diagnóstico seja urgente e não possa esperar.
  • O risco teórico: não há evidências de que o campo magnético cause malformações. No entanto, o embrião é sensível ao aumento de temperatura (efeito térmico) e ao ruído acústico intenso do aparelho. Por precaução, médicos preferem aguardar a conclusão desta fase.

2º e 3º trimestres: maturidade Fetal (a partir da 13ª semana)

A partir do segundo trimestre, os órgãos já estão formados e o foco passa a ser o crescimento e a maturação funcional.

  • Recomendação: é o período padrão para a realização de exames necessários. A RM é frequentemente solicitada para complementar o Ultrassom Morfológico, especialmente se houver suspeita de alterações no Sistema Nervoso Central (SNC) do feto.
  • Vantagem Clínica: no terceiro trimestre, o feto é maior, o que permite imagens de altíssima resolução para planejar intervenções logo após o nascimento, se necessário.

Posicionamento e conforto da gestante

No terceiro trimestre, o tamanho do útero pode comprimir a veia cava inferior quando a paciente deita de costas (decúbito dorsal), o que pode causar queda de pressão e tontura.

  • Protocolo de segurança: clínicas especializadas orientam que a gestante realize o exame em decúbito lateral esquerdo ou com uma leve inclinação, garantindo o fluxo sanguíneo adequado para o bebê durante o procedimento.

Perguntas frequentes sobre ressonância magnética na gravidez

A seguir, respondemos às dúvidas mais comuns sobre ressonância na gravidez baseadas em diretrizes de segurança radiológica e obstétrica.

Quais os efeitos da radiação durante a gravidez?

A radiação ionizante (raio-X/TC) em doses altas pode aumentar risco de alterações no desenvolvimento fetal e, em qualquer dose, pode elevar um pouco o risco futuro de câncer infantil; em exames diagnósticos usuais, a dose fetal costuma ficar abaixo de níveis associados a efeitos graves.

Ressonância magnética usa radiação?

Não. A ressonância magnética (RM) não usa radiação ionizante; ela funciona com campo magnético forte e ondas de rádio.

A ressonância magnética pode causar malformação no bebê?

Não existem evidências científicas de que o campo magnético ou as ondas de rádio utilizados na RM causem malformações fetais, mutações genéticas ou danos permanentes ao bebê.

Grávida pode fazer ressonância magnética com contraste?

A ressonância magnética com contraste (Gadolínio) é contraindicada na gravidez por protocolo de rotina. Ela só deve ocorrer em situações excepcionais em que o diagnóstico é crítico para a vida da mãe e não pode ser obtido por outros meios (como RM sem contraste ou Ultrassom).

Qual a diferença entre ultrassom e ressonância na gravidez?

O Ultrassom é o exame de primeira linha, excelente para acompanhar o crescimento fetal e o fluxo sanguíneo. A Ressonância Magnética entra como um exame complementar de alta resolução, geralmente solicitado quando o Ultrassom encontra alguma suspeita complexa no sistema nervoso ou na placenta que precisa de maior detalhamento anatômico.

Conclusão

Como falado, não há evidências que há riscos da realização da ressonância magnética durante a gravidez, no entanto, é prudente sempre avaliar a necessidade da realização do exame, assim como de qualquer outro.

Havendo a necessidade da realização do exame durante a gestação, a paciente deve discutir suas preocupações com seu médico antes para que possam ser indicados os métodos mais apropriados.

Quer aprofundar os conhecimentos sobre a segurança de outros exames de imagem? A ressonância é apenas uma das ferramentas disponíveis.

Para entender como a medicina moderna recomenda a utilização de ultrassons, tomografias e radiografias em cada fase da gestação, não perca o nosso guia completo: Diagnóstico por imagem na gestação – o que a medicina recomenda

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