Complicações da mpox: sinais de alerta e papel da radiologia

Mpox é uma infecção geralmente leve, mas pode causar complicações como proctite e pneumonia, nas quais a radiologia auxilia na avaliação da gravidade.
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Sumário

Os diagnósticos de varíola dos macacos seguem evoluindo no Brasil, com mais de 80 casos identificados em 2026. Apesar de a maioria dos quadros ser leve, no entanto, é importante entender quais são as complicações da mpox, especialmente no cenário atual.

Embora a maioria dos casos evolua de forma leve e com recuperação espontânea, algumas pessoas – especialmente imunocomprometidos – podem apresentar complicações como infecção bacteriana das lesões de pele, proctite com dor intensa, pneumonia, alterações neurológicas ou comprometimento ocular.

Nesses cenários, exames como tomografia, ressonância magnética, ultrassonografia ou radiografia podem auxiliar na avaliação de complicações e no direcionamento da conduta clínica.

A seguir, confira os sinais de alerta da mpox e quando considerar tomografia, ressonância ou outros exames de imagem.

Quais são as complicações da mpox?

As complicações da mpox mais relatadas incluem infecção bacteriana secundária das lesões de pele, proctite com dor anorretal intensa, edema genital, além de manifestações menos comuns como pneumonia, encefalite e comprometimento ocular.

Nesses cenários, a radiologia atua de forma complementar, ajudando a:

  • identificar abscessos e complicações anorretais (por meio de tomografia ou ressonância);
  • investigar sintomas respiratórios (radiografia ou TC de tórax);
  • e avaliar manifestações neurológicas quando indicado.

Sinais de alerta: quando considerar exames de imagem na mpox?

Deve-se considerar exames de imagem na mpox quando há suspeita de complicação estrutural/envolvimento de órgãos internos, especialmente diante de dor anorretal intensa e persistente, sinais de infecção secundária com possível abscesso, piora respiratória, alterações neurológicas ou agravamento clínico em pacientes imunossuprimidos.

Na prática, a imagem é indicada não pela presença do vírus em si, mas pela necessidade de avaliar extensão, gravidade e possíveis diagnósticos diferenciais.

Em casos de proctite com dor importante ou suspeita de coleção, por exemplo, a tomografia computadorizada (TC) ajuda a identificar espessamento retal, inflamação perirretal e complicações como abscessos.

Quando há dispneia, dessaturação ou risco de coinfecção, a radiografia ou TC de tórax pode auxiliar na investigação de pneumonia e na exclusão de outras causas respiratórias.

Já sintomas como confusão mental ou déficit focal justificam avaliação com ressonância magnética (RM) para descartar encefalite ou outras condições neurológicas.

Portanto, a radiologia entra como ferramenta de estratificação de risco e apoio à decisão clínica, especialmente nos casos que fogem do curso habitual e exigem investigação além das manifestações cutâneas.

Complicações na mpox: o que a tomografia pode revelar em casos de proctite

A proctite – inflamação do reto – é relatada com frequência em pessoas com varíola dos macacos. Para se ter ideia, um estudo publicado em 2025 indica que esse quadro está presente em cerca de 24,75% das pessoas com mpox.

Nesse caso, a tomografia computadorizada (TC) é útil para visualizar alterações na estrutura do reto e dos tecidos ao redor. Em análises de pacientes com mpox confirmada, achados comuns desse exame incluem:

  • espessamento da parede retal, que indica inflamação ativa.
  • alteração da gordura ao redor do reto (estrias inflamatórias), sinal de envolvimento local.
  • linfonodos aumentados na região perirretal, marcando resposta inflamatória.

Em casos mais complicados, a TC pode sugerir coleções ou abscessos, o que pode orientar a necessidade de manejo específico.

Ademais, vale reforçar que esses achados não servem para diagnosticar a infecção por mpox – o diagnóstico etiológico continua sendo laboratorial –, mas ajudam a determinar a extensão da inflamação e a necessidade de cuidados adicionais.

Complicações na mpox: o que a tomografia pode revelar no pulmão

O acometimento pulmonar na mpox é incomum. No entanto, pode ocorrer em casos mais graves, especialmente em pessoas imunossuprimidas.

Um estudo concluído em 2025 com pacientes positivos para HIV mostrou que 21 das 41 pessoas avaliadas apresentou pneumonia associada à varíola dos macacos, indicando maior risco de complicações respiratórias nesse grupo.

Nessas situações, a tomografia computadorizada (TC) de tórax ajuda a enxergar o padrão das lesões e a levantar sinais de disseminação sistêmica, além de apoiar o diagnóstico diferencial com pneumonias oportunistas (algo muito relevante em pacientes com HIV avançado).

Nesse mesmo estudo, os achados mais característicos na TC incluíram:

  • múltiplos nódulos bem delimitados, distribuídos de forma aleatória nos pulmões (com tamanhos que variaram de 2 a 36 mm);
  • em parte dos casos, nódulos com componente em “vidro fosco” junto aos nódulos sólidos;
  • sinais que sugerem coinfecção em uma parcela relevante dos pacientes (reforçando por que a TC é útil para diferenciar causas);
  • e, em séries de casos graves, pode haver derrame pleural e outras alterações associadas à doença disseminada.

Por fim, vale reforçar que a TC não diagnostica mpox, mas pode revelar comprometimento pulmonar e ajudar a classificar gravidade e conduzir o cuidado.

Complicações na mpox: quando a ressonância é indicada em casos neurológicos

Embora raras, as complicações neurológicas da mpox já foram descritas na literatura científica. Uma revisão publicada no Brazilian Journal of Health Review destaca que manifestações como encefalite, meningite e encefalomielite podem ocorrer em alguns pacientes, principalmente em quadros mais graves.

Nesses cenários, a ressonância magnética (RM) é o exame de imagem mais indicado para investigar possível comprometimento do sistema nervoso central. Entre os achados descritos em casos clínicos estão:

  • áreas de inflamação no parênquima cerebral, visíveis em sequências T2/FLAIR;
  • sinais compatíveis com encefalite ou encefalomielite;
  • alterações que exigem diagnóstico diferencial com outras infecções virais ou processos inflamatórios.

Assim como nas demais complicações, a RM não confirma a infecção por mpox, mas é essencial para avaliar gravidade, apoiar a decisão clínica e direcionar condutas em pacientes com sinais neurológicos como confusão mental, convulsões ou déficit focal.

O papel da telerradiologia em cenários de maior demanda

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Com o aumento de casos de mpox no Brasil, mesmo que a maioria seja leve, os serviços de saúde precisam manter agilidade na avaliação de pacientes com sinais de alerta.

Quando há necessidade de tomografia, ressonância ou radiografia para investigar complicações, o tempo de resposta faz diferença na condução clínica.

Nesse contexto, a telerradiologia contribui ao ampliar o acesso a especialistas e reduzir o tempo de liberação dos laudos, especialmente em unidades com menor cobertura local.

Além de apoiar a tomada de decisão, ela também favorece a organização do fluxo assistencial em cenários epidemiológicos que exigem atenção contínua.

Conclusão

Embora a maioria dos casos de mpox evolua de forma leve, reconhecer as complicações da mpox é fundamental para identificar situações que requerem investigação mais detalhada e resposta clínica ágil.

Exames como tomografia e ressonância não diagnosticam a infecção, mas são ferramentas valiosas para avaliar gravidade, delimitar extensão das lesões e descartar diagnósticos diferenciais.

Em um cenário epidemiológico em que a rapidez na análise e a precisão na interpretação podem fazer diferença, contar com modelos que ampliem o acesso a especialistas – mesmo à distância – se torna um diferencial no cuidado.

Se você quer saber, então, como acelerar a tomada de decisão nesses casos e melhorar a qualidade dos resultados de exames complexos e urgentes, confira: Diagnóstico a Distância: entendendo o processo de laudo remoto

Perguntas frequentes sobre complicações da mpox

O que é mpox?

A mpox é uma doença infecciosa causada por um vírus da mesma família da varíola. Ela pode provocar febre, dor no corpo, aumento dos linfonodos e lesões na pele ou mucosas.

Quais são os principais sintomas da mpox?

Os sintomas mais comuns incluem febre, dor de cabeça, cansaço, ínguas (linfonodos aumentados) e lesões na pele, que podem surgir em diferentes partes do corpo, incluindo região genital e anal.

A mpox pode ser diagnosticada por exame de imagem?

Não. O diagnóstico da mpox é feito por exame laboratorial (PCR). Exames de imagem não confirmam a infecção, mas podem ser úteis para identificar complicações e avaliar a gravidade do quadro.

A proctite é comum na mpox?

Sim. Estudos indicam que a proctite pode estar presente em cerca de 24% dos pacientes com mpox, especialmente quando há dor anorretal intensa. Nesses casos, a tomografia pode ajudar a avaliar a extensão da inflamação e possíveis complicações.

Quando a tomografia de tórax é indicada na mpox?

A TC de tórax pode ser considerada quando há sintomas respiratórios relevantes, como dispneia ou piora clínica em pacientes imunossuprimidos. O exame ajuda a avaliar comprometimento pulmonar e diferenciar outras causas de pneumonia.

A mpox pode causar complicações neurológicas?

Embora raras, complicações como encefalite já foram descritas na literatura. Diante de sintomas neurológicos, a ressonância magnética pode ser indicada para investigação.

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